O último dia de SPFW começou com o desfile que a Cavalera armou em um ferro velho, no bairro da Móoca. Pedindo mais atenção do governo para com a moda, ao final da apresentação, estilistas do evento entraram com uma camiseta protesto onde se lia a frase “Presidenta Dilma, precisamos falar com a senhora. A moda agradece”. Afora a politicagem, a roupa ficou em segundo plano; mas é impossível não destacar a moda urbana e os looks que a marca de Turco Loco sabe mostrar com maestria. Palmas para os prints e a alfaiataria feita em moletom.
Já na Bienal, André Lima deixou de lado seus vestidos volumosos para apresentar um shape mais próximo do corpo. Tem babados, estampas tamanho giga e styling primoroso, mas nada supera o poder da saia longa usada com top acinturado desfilada por Barbara Berger.
Mais uma estreante no SPFW, a Têca buscou inspiração em Julio Verne e deu sua própria volta ao mundo. O Verão proposto por Helô Rocha é para viajantes juvenis, dessas que exploram o globo com saias, vestidos e shorts curtos. O mix de estampas vale o aplauso, já que elas são o carro chefe da marca.
Com trilha sonora pop rock, a Amapô empolgou os espectadores na sala de desfiles. Quando o primeiro look cruzou a passarela foi possível entender que a intenção das estilistas Carô Gold e Pitty Taliani era mesmo festejar a moda e a identidade oitentista da marca. Mais japonista e menos caricata, teve momentos bastante comerciais mas também emblemáticos, caso de vestidos com franjas e dobraduras que, infelizmente, não funcionam na vida real.
Se Samuel Cirnansck queria emocionar, ele conseguiu. Suas ninfas abissais encerraram o SPFW em clima de nostalgia. Impossível não se deixar levar pela música de Björk e ficar abismado com os vestidos vaporosos do estilista, bordados à exaustão com muita pérola e pedraria. Sem um adjetivo certeiro para definir o desfile, que teve cenário nababesco com balanços e orquídeas, resta resumir tudo em duas palavras: O Melhor!
Até a próxima edição.
por Daniel Amaral
Fotos: Agência Fotosite











