Após 2 horas de atraso e algumas vaias da platéia, as luzes, finalmente, se apagam. Então, eis que surge, ao fundo do palco, uma sombra de um guitarrista anunciando o início de "Chinese Democracy". O público vai ao delírio e Axl surge no palco, confirmando que, apesar de todos os boatos e contratempos, a voz aguda continua a mesma.
Mas apesar disso, a impressão geral era de um grupo formado por emos. Axl parece ter escolhido a dedo seus guitarristas, que mais pareciam ter saído da banda "Twister" . Dj Ashba, a versão genérica do Slash, ainda tentou imitar seu precursor, com uma cartola na cabeça, cabelo na cara e cigarro na boca, durante seus solos de guitarra. Faltou personalidade pois, apesar de tudo, ele é bastante competente no que faz.
Dj, atualmente, pode ser considerado o "muso" da banda, já que Axl, que costumava arrancar suspiros da platéia feminina nos velhos tempos, hoje mais parece uma versão caricata de Neil Young.
Após 17 anos fazendo escassas apresentações e com a saída de todos os integrantes do grupo original, com a excessão de Axl, a turnê "Chinese Democracy" veio confirmar o poder que o grupo ainda tem de atrair multidões. Com shows lotados ao redor do mundo, a persistência de Axl só demonstra uma coisa: a carência que temos, atualmente, de música com alma.
Foto: Clarissa Magalhães

Em sua 16a. edição o Mirror Awards é direcionado ao profissional de beleza canadense. A premiação conta com 22 categorias, como Fantasy Style e Editorial Stylist of the year. Esta última, como o nome já diz, reconhece o trabalho do artista que faz o look de editoriais de moda em publicações do país.
O evento acontece dia 27 de fevereiro no Metro Convention Centre em Toronto. O prêmio é uma iniciativa da revista Canadian Hairdresser que é especializada em divulgar o trabalho dos profissionais da área de beleza no país. Alguns ganhadores receberão bolsas de estudo.
Maiores informações: www.canhair.com

Com a neve chegando por aqui, nada melhor do que se divertir com esportes de inverno.
A apenas 90 minutos de distância, Blue Mountain é a estação de esqui mais próxima de Toronto, o que faz com que seja a mais visitada pelos habitantes da maior cidade canadense.
A montanha se mantém em atividade durante todo o ano, com atrações diferenciadas no verão e diversas opções de lazer para toda a família durante o inverno.
Os tickets já podem ser adquiridos pela internet no site: www.bluemountain.ca

Produzido pela revista "Make-up Artist" o IMATS é o único trade show do mundo que atende o seguimento. O evento ocorre 5 vezes ao ano em 5 cidades: Londres, Toronto, Los Angeles, Sidney e Vancouver. Em Toronto o gathering começa hoje e continua amanhã, com desfiles, apresentações especiais e a feira.
A estrutura conta com dois palcos, onde alguns artistas se apresentarão simultaneamente. Serão, ao todo, 39 stands, contando com marcas conhecidas no mercado, como a Make up For Ever.
Nos anos 90 não existia um trade show para a categoria. Percebendo a necessidade, Michael Key, publisher da Make up Artist, montou o primeiro IMATS em agosto de 1997. Na época, o evento contava com diversas demonstações e workshops de alguns dos líderes do setor de cosméticos. Hoje em dia, o IMATS continua com a mesma visão. A diferença é que, com a evolução dos meios de comunicação e os eventos em 5 cidades de projeção mundial, o evento se tornou uma grande chance de network para os profissionais da área em todo o mundo.
Aguardamos mais informações e fotos com a nossa fotojornalista Flávia Barbosa.

Imagine viver em um condomínio onde cada andar foi projetado por um estilista diferente? Em dois anos isso será possível em Toronto. Localizado na King Street West, a Fashion House é um projeto ousado e inovador, pois visa ser construído a partir de um prédio de 160 anos.
O projeto respira arte em todos os sentidos. A localização não poderia ser mais perfeita: em meio ao Fashion District de Toronto. Além disso, 11 estilistas locais participaram na concepção do condomínio, que conta com janelas de vidro do teto ao chão. Estas serão especialmente iluminadas ao cair da tarde.
Os preços variam entre 200 mil e 2 milhões de dólares, o que, na realidade, não é nada absurdo para essa área da cidade, que conta com bares, restaurantes e clubs.
www.fashionhousecondos.ca

O evento, que começa amanhã em Ottawa, foi concebido como uma forma criativa para arrecadar doações para o "Ovarian Cancer Canada".
Serão 4 dias com diversas apresentações de moda, entre fotografias, festas e entretenimento. Além disso, o evento ainda conta com desfiles de alguns dos mais importantes designers canadenses, incluindo antigos participantes do
Project Runway Canada.
Aproximadamente uma de 70 mulheres contraem câncer de ovário no país, com 2300 novos casos a cada ano. O objetivo do evento, além das doações e da venda de ingressos em prol do projeto, é alertar as mulheres canadenses para a doença.
Os ingressos podem ser comprados no site: www.fashioncuresalamode.com; e variam entre 20 e 105 dólares.
Maiores informações sobre o projeto: www.ovariancanada.org

O telefone que, promete ser modismo entre os fashionistas, foi lançado nessa edição do LG Fashion Week. O novo "Chocolate" está sendo apresentado em semanas de moda do mundo inteiro.
Segundo o relações públicas da LG, Frank Lee, o Canadá é o terceiro país do mundo a promover o celular, que estará à venda no final de novembro.
O modelo lembra bastante o iphone - tem touchscreen, acesso a internet e aplicações - mas, ainda assim, promete balançar o mercado do mesmo. Resumindo suas capacidades, poderíamos dizer que o Chocolate tem a graça do iphone com as vantagens de um blackberry, como o download de contatos, por exemplo.
O novo modelo ainda não tem previsão para ser lançado no Brasil.

Ao contrário do nome, a NADA, fez um tudo na passarela. Um dos desfiles mais bem produzidos da Fashion Week. Tudo entrando em perfeita comunhão, cabelo, make, roupas.
O desfile começa com uma cena de uma modelo, vestida como uma Maria Antonietta modernosa, projetada na boca de cena. A estória é uma espécie de devaneio de uma mulher apaixonada, que sobe as escadarias de sua mansão, chamando seu amor para o quarto. Quando ela abre a porta - tcharã - começa o desfile e a modelo aparece na passarela.
O clima proposto pelo vídeo foi bastante apropriado para as roupas, com inspiração claramente gótica. O preto foi bastante usado, com intervalos de roxo, marrom, branco. Rendas e laços tiveram bastante destaque em todos os looks, que também abusaram de tranparências.
Os corsets não podiam faltar, principalmente num desfile inspirado na época do ultra-romantismo de Lord Byron. E eles vieram acomapanhados de capas e saias com armações nos quadris.
Nada Shepherd, designer e dona da marca, é apaixonada por história de moda, e suas coleções sempre tentam unir as tendências vigentes à indumentária do passado. Dentre as celebridades que usam suas roupas estão Nelly Furtado e Mel C, ex-Sporty Spice e que, recentemente, modificou radicalmente o visual.

Andy é um dos designers mais festejados na Fashion Week, por ter ganho diversos prêmios do mundo da moda. Entre eles, talvez o mais importante seja o 2006 Fashion Export Awards, na categoria de roupa feminina.
O designer tem um estilo mais refinado que a grande maioria vista durante a semana. Difícil foi acompanhar o desfile no showroom, que mais parecia um formigueiro de fotógrafos e jornalistas, se engalfinhando por uma fresta para apreciar os vestidos.
A cartela de cores foi do azul cobalto ao claro, passando por tons de azul turquesa. Também tiveram bastante destaque tons como o ocre, creme, branco e preto.
Os vestidos de cocktail eram bem marcados na cintura e com volumes nos quadris. Além disso, os decotes tinham uma referência bem clara em Thierry Mugler, com formato de coração.
Roupas clássicas e de bom gosto, o que serviu para ser um destaque durante a semana de moda de Toronto. Andy tirou o exagero e escolheu a simplicidade elegante.

Antes do desfile, toda a imprensa foi convidada a sala do showroom para o lançamento da Barbie Fashionista, pela Mattel®. Enquanto ninguém aparecia para apresentar o evento, os jornalistas e fotógrafos aproveitavam para degustar as maravilhas calóricas do buffet. Entre chocolates e cupcakes, os garçons serviam vinho e cerveja. Combinação bem esquisita pro ponto de vista da colunista aqui.
Então, eis que surge a relações públicas da marca, no seu figurino Barbie anos 50, com direito a saia rockabilly com anágua de filó. Apresentadas uma a uma, as modelos, vestidas de Barbie, começaram a entrar pelo salão e a se posicionar em frente aos seus respectivos temas: Cutie, Glam, Wild, Sassy, Artsy e Girly. Uma mais cafoninha do que a outra, como toda boneca Barbie deve ser.
Daí toda a imprensa é deslocada finalmente para a sala de desfiles, onde o show Barbie por David Dixon iria acontecer. O tema dessa vez é o filme, estrelado por Audrey Hepburn, "Cinderella em Paris".
Antecipando o que estaria por vir no desfile, uma cena do filme é projetada na boca de cena da passarela: aquela aonde Kay Thompson canta "Think Pink". No filme, ela interpreta Maggie Prescott, que é a editora da revista Quality e está sempre em busca das novas tendências.
Inesperadamente o desfile começa com um vestido - imaginem! - pink. Nada mais criativo para uma boneca Barbie. Os tecidos eram bastante chamativos e brilhosos, como o veludo e o tafetá. As meninas pareciam estar embrulhadas para presente. Os meninos pareciam saídos de filmes como "A revolta dos nerds", mas tinham uma sofisticação mais inglesa do que americana. Apesar disso, os cortes eram precisos, com muito drapeado e alfaiataria típica dos anos 60.

Para a coleção de primavera 2010, David Dixon escolheu um tema bastante propício: Os jardins suspensos da Babilônia.
A cor de maior destaque foi o amarelo-limão, tendência que foi consolidada em vários desfiles da última temporada, inclusive no Brasil. Além disso, a cartela de cores passou pelo azul cobalto, preto e creme, além de algumas peças em prata.
Apesar do grande destaque dado às flores, a alfaiataria também teve o seu lugar, pois é uma das marcas registradas do designer.
David começou sua carreira na moda como assistente de Alfred Sung. Logo depois, participou do programa do Toronto Fashion Incubator. Assim, deu seu ponta-pé inicial na carreira de designer e fundou a marca que leva seu nome.
O Toronto Fashion Incubator é um projeto que não visa lucro. São oferecidos diversos incentivos para o novo designer, por quantias irrisórias em termos de mercado. O TFI tem o patrocínio da prefeitura de Toronto e da revista Elle Canada, entre outros.

Capoeira, samba e algumas modalidades de esportes passaram pela passarela da VATA Brasil. A marca, comandada por Ananda Gomes, se inspira nas roupas femininas das academias de ginástica do Brasil para desenvover seu material. Nada muito original em termos de Brasil, mas aqui, de certa forma, tem sua dose de autenticidade e, até mesmo, exotismo.
Talvez o único grande deslize tenha sido uma tentativa de sugerir que a roupa de ginástica poderia ser usada para o escritório em um dos looks, com direito a salto e bolsa kelly. Na-na-ni-na-não!!!
Na realidade, me irrita um pouco perceber a mania que os brasileiros tem de fazer o marketing dos seus produtos com coisas como Carnaval, futebol, etc. É tão clichê! Mostrem alguma coisa original, please! Aliás, por que frizar o fato de serem brasileiros? André Lima vende porque é André Lima, não porque é brasileiro. O que quero dizer é: se tem qualidade e beleza, não tem porque usar o nome de um país como forma de Marketing.
www.vatabrasil.com

Holt Renfrew é conhecida como a "meca" da moda Canadense. Com lojas espalhadas em 9 cidades do país, a Holts - como é conhecida - nasceu em Quebec City há 172 anos. Criações de todos os designers, mais importantes e conhecidos do mundo, podem ser encontrados nas araras dessa loja.
Para abrir a semana de moda LG Fashion Week, na segunda, a Holts ofereceu um cocktail exclusivo para a imprensa e designers, além de alguns convidados. Barbara Atkins, vice-presidente do grupo Holt Renfrew & Co., apresentou um pequeno desfile, de algumas peças de designers, aos quais ela se referiu como : "the group of seven from Canadian fashion"(O grupo dos sete da moda canadense)*.
Como em todo evento de loja, tudo foi estrategicamente arranjado para que os convidados ficassem sempre rodeados de roupas e acessórios. E qual não foi a surpresa da colunista ao passear pelas araras dessa megastore? Carlos Miele, Lenny e Rosa Chá. Além, é claro, de uma Melissa que é vendida por, nada mais, nada menos que $295,00 dólares. Sinal de que algumas marcas brasileiras estão se solidificando pelo mundo afora. Podemos não competir com os tigres asiáticos no que diz respeito ao preço, mas estamos criando um lugar no mercado de luxo o que, certamente, significa qualidade.
*Dando uma situada no leitor: Ao chamar os designer de "the group of seven", Barbara estava se referindo aos artistas plásticos canadenses dos anos 20, que pintavam paisagens típicas do país.
www.holtrenfrew.com

Caros Leitores,
Talvez vocês já me conheçam da coluna Rio, talvez não. Bom, prazer! Meu nome é Clarissa e acabo de ganhar essa coluna na Drops Magazine, o que me deixou muito feliz!
Acho que é um pouco óbvio dizer que a coluna é sobre o Canadá, mesmo porque, esse é o nome da dita-cuja. Mas enfim, o objetivo aqui é ser uma espécie de carderno de viagem, no qual sempre estarei comentando os principais eventos, assim como as minhas impressões sobre os mesmos. Também pretendo dar uma noção de como a cena cultural é encarada aqui nesse país.
Evitarei, ao máximo, o etnocentrismo. Mas comparações são impossíveis de não serem feitas, de tempos em tempos, visto que a colunista é uma estrangeira vivendo em outro país. Não sou patriota porque moro fora do Brasil. Digo isso pois muitas pessoas, curiosamente, se tornam patriotas ao saírem de seus países. Mas carrego um DNA cultural, do qual, seria impossível me livrar (não que eu queira) pois faz parte da minha essência como pessoa.
Espero que gostem do conteúdo desse espaço. Gostaria de receber feedback sobre a coluna e sobre o que vocês queriam estar lendo aqui. Por isso, quem quiser escrever, prometo que lerei tudo o que puder e me comprometo em tentar saciar a curiosidade de vocês sobre esse país, especialmente sobre Toronto, cidade onde resido.
Cartas para: clarissa@dropsmagazine.com.br
Clarissa Magalhães
